O dilema do modelo


Fotografada por Yossi Loloi

Nasceu de uma família que tradicionalmente valorizou a beleza corporal. O avô, de ascendência italiana, um dos homens mais bonitos de seu tempo, foi modelo amador numa época em que posar de bonito não dava profissão nem camisa a ninguém.  Na verdade foi modelo e Playboy e teria até tido um affair com Brigitte Bardot, a maior beldade francesa de todos os tempos, no final do casamento dela com Roger Vadim e antes que se casasse de novo com Jacques Crarrier. 

O pai, em consequência da mestiçagem, era mais moreno que o avô, mas com os mesmos olhos verdes. Esse foi modelo de sucesso internacional, passando por cabide das grifes mais famosas dos Estados Unidos, da Inglaterra, da Itália e da França. Fez propaganda dos cigarros Marlboro, um daqueles cowboys irresistíveis. Ganhou muita grana, mas muito pouco usufruiu. Antes que sobrasse tempo para curtir, caiu vitimado pelos males do tabaco. 

Na terceira geração de homens bem apessoados, há uma turma grande. Mas quiseram ser engenheiros, advogados, médicos, coisas normais. Só Wesley Bruno quis honrar a carreira de modelo. E como tal é um sucesso inequívoco.  Além de bonito, tem posições ecológicas e politicamente corretas. Não faz propaganda de cigarros, de cervejas, de agrotóxicos nem de produtos da natureza sem sustentabilidade. Faz ginástica regularmente, não come carne vermelha, não fuma, não bebe. E, do mesmo modo que o avô e o pai, é um pegador inveterado. Já namorou as gatas mais cobiçadas do mundo. De modelos estonteantes a celebridades da música pop. De herdeiras milionárias a desportistas olímpicas. Aliás, já teve tanta namorada que até perdeu a conta.

Agora por último, Wesley Bruno encontrou uma gata que abalou suas estruturas.  Modelo de passarela e comerciais de TV, Laurinda Flor é uma moça de Mundocaia, também nascida de uma família de mulheres bonitas. Como modelo é sucesso na Europa e reside atualmente em Milão. O rapaz ficou tão de espinhela caída pela moça que tem procurado fechar contratos para eventos, quando não para o mesmo em que ela está, mas pelo menos na mesma cidade, que é para não perdê-la de vista por muito tempo. 

O moço bonito abandonou o seu lado galinha e só tem olhos para Laurinda, que é uma flor até no nome. E já falou pra si mesmo e para quem mais quis ouvir que até o final do ano vai se casar com ela, de aliança, e papel passado e viver romanticamente em algum jardim do mundo, cultivando sua bela e eterna Flor. Por meses Wesley Bruno insistiu com Laurinda  para ir até Mundocaia, conhecer a família  e pedir a mão dela em casamento. Ela levou na brincadeira e falou que isso era coisa démodé, meio brega. Onde já se viu, hoje em dia o rapaz ir à casa da moça, pedir aos pais a mão dela em casamento. Afinal, são maiores e livres e que esse ritual era coisa tipo nada a ver. 

Mas tanto insistiu que finalmente ela o levou a Mundocaia. Viu que a futura sogra e as tias da moça eram belíssimas, parecidas com a noiva. Mas apenas nas fotos antigas penduradas na parede. Agora eram tão gordas, mas tão gordas que o braço de qualquer uma delas era mais grosso que a cintura de Laurinda Flor. E uma dúvida cruel ocupou de assalto em seu coração o espaço que era da vontade doida de casar. 

(Publicado no jornal O Popular - Goiânia - Goiás em março de 2013)

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