Literatura cotada na Bolsa


Ser cotada na bolsa é motivo de orgulho para qualquer empresa. Significa que a corporação ganhou porte e passaporte para jogar com os grandes. É um momento estressante também, pois a maior ou menor crença dos investidores determina o sucesso ou o fracasso daí em diante. Em casos recentes, o Facebook se lançou na bolsa, galeou para um lado e pra outro, para em seguida pegar ritmo de navegação. O Grupo X de Eike Batista se jogou também. Repentinamente fez do empreendedor um dos maiores magnatas da terra, que festejou feito doido. Mas sem mais nem menos começa a fazer água. Para não afundar, o milionário, já desidratado, grita por socorro a duas pessoas: a Deus e o mundo.

 Muita gente não sabe, mas a Literatura de Goiás também é cotada na Bolsa.  Aliás, nossa Literatura é bastante rica (culturalmente, claro). Hugo de Carvalho Ramos, por exemplo, foi o precursor do regionalismo moderno e a maior influência de Guimarães Rosa. Além de outros nomes fundamentais da literatura nacional tais como Cora Coralina, José J. Veiga, Carmo Bernardes, Eli Brasiliense, Rosarita Fleury.  É claro que a cotação não é na BM&FBOVESPA, a bolsa de valores oficial do Brasil. Mas na BPHCR (Bolsa de Publicações Hugo de Carvalho Ramos). 

Brincadeira à parte, a Bolsa Hugo foi criada em 1944, pelo primeiro prefeito de Goiânia, prof. Venerando de Freitas Borges. A proposta era descobrir obras inéditas de autores goianos nos gêneros ficção e poesia. Por força de lei, sua administração sob responsabilidade da UBE – GO – União Brasileira de Escritores – Seção de Goiás.

Já na primeira edição, a Bolsa descobriria não apenas obras inéditas, mas também um autor que marcaria nossas letras positivamente e para sempre. O ganhador de ficção foi Bernardo Élis, com  Ermos e Gerais. Depois foi vencedor do Prêmio Jabuti de romance e ocupou a cadeira nº 1 da Academia Brasileira de Letras.

 A Bolsa Hugo se firmou ao longo dos anos. E assim como a bolsa de valores é para as empresas, a Bolsa Hugo passou a ser um divisor de águas para a vida dos escritores de Goiás.Tornou-se uma espécie de limiar no rito de passagem na vida de nossos autores: antes e depois da Bolsa. Ganhar a bolsa, que é sempre muito concorrida, é como receber um selo de qualidade, de maturidade literária. O estresse vem do fato de ter que continuar escrevendo com qualidade. 

Durante quase setenta anos, a Bolsa Hugo chancelou obras dos autores mais importantes de nosso estado. Tais como (citando só alguns que já partiram para outra dimensão): Americano do Brasil, Eli Brasiliense, José Godoy Garcia, Anatole Ramos, Yêda Schmaltz, Pio Vargas, Luís Palacín, Lacordaire Vieira.

Quando  o jornalista Jaime Câmara foi presidente da UBE, o resultado da Bolsa era divulgado ao vivo pela TV Anhanguera. Em recente visita que o escritor Valdivino Braz (secretário da UBE) e eu fizemos à Secretária de Cultura, profa. Glacy Antunes, acertamos que este ano o resultado voltará a ser vistoso, divulgado como parte dos festejos de 80 anos de Goiânia. Também, como parte da festa, serão lançados os livros dos ganhadores do ano passado: Cristiano Deveras e Sinésio  de Oliveira.   

(Publicado no jornal O Popular - Goiânia - Goiás em maio de 2013)




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